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Reencontro - Parte 3

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 “Edgard?” — disse Suellen, assustada, enquanto segurava a mão de Natália, tentando ajudá-la a se levantar do chão.

Natália, com a outra mão livre, segurava a máscara na boca, congelada ao perceber que Suellen a havia reconhecido. Na verdade, eram dois choques: o primeiro por se encontrar com Suellen depois de tanto tempo, e o segundo por ser pega em uma situação tão constrangedora.

Paralisada, Natália apenas encarava Suellen, sem ação, tentando processar a situação. Suellen, percebendo o estado de choque de Natália, tomou a iniciativa. Segurando firme o braço de Natália com ambas as mãos, ela a ajudou a se levantar do chão. Com cuidado, arrumou o sobretudo que havia caído até a metade das costas de Natália e, com um tom compreensivo, disse:

“Vamos para dentro, é perigoso ficar aqui fora a essa hora da noite... e ainda mais vestido assim.”

Ambas entraram na casa de Suellen pela porta da cozinha. Suellen puxou uma cadeira e conduziu Natália para que se sentasse. Em seguida, virou-se para pegar um copo d'água e o entregou para Natália.

“Toma, se acalma e me explica o que tá acontecendo.”

Natália olhou para Suellen e apontou para sua boca e depois para a nuca. Suellen, confusa a princípio, olhou mais de perto e viu que um pequeno cadeado trancava a mordaça, impedindo Natália de removê-la.

Assustada, Suellen soltou um suspiro, tentando processar aquilo. “Entendi... onde está a chave?”

Natália, impossibilitada de falar, fez um gesto com as mãos como se estivesse escrevendo. Suellen rapidamente pegou um bloco de notas e uma caneta e entregou para ela. Natália escreveu: A chave está na minha casa dentro de uma mala, a mala está trancada com essa chave.

Então, ela retirou uma chave do bolso do sobretudo e a mostrou para Suellen.

“Entendi,” disse Suellen, ainda surpresa. “Quer que eu te leve e te ajude a se livrar disso?”

Envergonhada, Natália assentiu com a cabeça.

Suellen sugeriu que ambas saíssem de casa de carro, mesmo que a casa de Natália estivesse na rua de trás. “Assim é mais seguro,” comentou Suellen, e Natália concordou. As duas seguiram rumo à casa de Natália.

Ao chegarem, Natália fez um gesto para que Suellen entrasse com o carro na garagem. Natália desceu primeiro, caminhou até a porta e começou a abrir o portão automático. Suellen dirigiu o carro para dentro, e o portão se fechou com um clique metálico atrás delas.

Na porta da sala, com os braços firmemente cruzados, Natália sinalizou para que Suellen entrasse. Assim que Suellen entrou, Natália já estava abrindo o cadeado da mala. As mãos de Natália tremiam de adrenalina enquanto tentava destrancar o cadeado.

“Deixa comigo,” disse Suellen, tomando as chaves de Natália com firmeza e destrancando o cadeado com facilidade.

Finalmente livre da mordaça, Natália retirou o dispositivo da boca, depositando-o sobre uma toalha. Ofegante, disse:

“Eu não sei o que te dizer, Suellen... só te peço que não conte para ninguém.”

“Tá maluco?” respondeu Suellen, rindo levemente. “Como se eu ganhasse algo com isso. O que você faz não é da minha conta.”

Natália suspirou de alívio. “O-obrigado,” murmurou.

Suellen, ainda intrigada, franziu a testa e perguntou: “Mas... queria que você me explicasse o que é isso. Não entendi nada.”

Natália respirou fundo e tentou explicar: “É um fetiche meu... digamos que eu tenho um lado feminino, e essa mulher é uma submissa que gosta de fazer esse tipo de ‘tarefa’.”

Suellen ficou em silêncio por alguns segundos, processando as informações. Finalmente, disse: “Tá, mas é muito perigoso o que você fez. E se um cara — ou vários — te pegarem? Ou, sei lá... a polícia?”

“Sim,” respondeu Natália, “mas essas vontades são muito fortes para mim. Na minha visão, não é algo errado, ou um crime, seja lá o que for. Além disso, é a primeira vez que me aventuro assim. Normalmente, fico em casa e passo o final de semana montada.”

“Então ninguém sabe? Nem um amigo, namorado, seus pais ou sua irmã?”

“Não,” respondeu Natália, balançando a cabeça. “E nenhuma namorada soube. Eu não me relaciono com homens. Não quer dizer que por eu me vestir assim eu tenha vontade de fazer isso. Se eu tivesse, faria, mas não é isso que me dá tesão.”

Suellen se mexeu desconfortável, mas balançou a cabeça em compreensão. “Desculpa, eu falei sem pensar. Mas você sabe como é a sociedade... Se os vizinhos te pegam fazendo isso, é óbvio que vão dizer que você é isso ou aquilo. Duvido que vão ser compreensivos como estou tentando ser.”

“É, eu sei. Obrigado de verdade por ser tão compreensiva. Faz tanto tempo que a gente não se vê, e quando acontece, eu estou nessa situação ridícula.”

Suellen riu, quebrando a tensão. “Para, já passou. Aliás, você tem bom gosto para se vestir! Claro que nenhuma mulher se vestiria assim para sair casualmente, mas para a cama... tá ótimo. Quem dera eu tivesse um corpo bonito como o seu pra me vestir assim.”

Natália sorriu, surpresa com o elogio. “Como assim, se tivesse um corpo bonito? Você tá com tudo em cima, só precisa achar o que te agrada.”

Suellen, envergonhada, disse: “Para, eu não acho que sou tudo isso, não. Eu tenho um peito médio e acho minha bunda grande demais. Não sei se fico legal me vestindo assim.”

“Você ficaria ótima! É só tomar a atitude e tentar,” respondeu Natália, encorajando-a.

“Ah, não sei. Eu até fui em umas lojas em Brasília, mas nada me fazia querer usar. Talvez porque eu fui sozinha e a visão que eu tenho sobre o meu corpo tirou a minha coragem.”

Natália sorriu e disse: “Se eu estivesse lá, eu te ajudaria a escolher.”

O papo foi fluindo, e Natália decidiu abrir uma garrafa de vinho. Com um pouco de calor e a atmosfera leve, Natália começou a abrir um pouco o sobretudo, quando Suellen comentou:

“Esse sobretudo não tá muito pesado para ficar dentro de casa?”

“É que eu não estou socialmente decente para ficar sem ele,” respondeu Natália, rindo.

Suellen balançou a cabeça e disse: “Olha, quando você caiu, eu vi o que você está usando por baixo. Pode ficar tranquila.”

“Ok,” disse Natália, retirando o sobretudo.

“Uau! É bem bonito esse corset,” exclamou Suellen, admirando a peça. Em seguida, ela ficou em silêncio, olhando para a linha de cintura de Natália, e perguntou: “O que é isso?”



Natália hesitou um pouco antes de responder: “Bem... errr... é um dispositivo chamado cinto de castidade.”

Continua...

Continue lendo aqui: Reencontro - Parte 4

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